Pela primeira vez, pesquisadores registraram uma onça-pintada utilizando uma toca de tatu-canastra no Cerrado.
O macho entrou e saiu do abrigo ao longo de um dia inteiro e permaneceu submerso por mais de 6h.
O tatu-canastra é considerado uma espécie engenheira do ecossistema. Suas tocas, que podem chegar a 5 metros de profundidade, modificam o ambiente e criam novos habitats.
Ou seja, as tocas funcionam como um "ar-condicionado" natural, fornecendo abrigo e um microclima mais fresco para mais de 100 espécies.
Os pesquisadores avaliam que a toca tenha sido utilizada como refúgio térmico. As estruturas escavadas pelo tatu-canastra mantêm temperaturas mais estáveis, mesmo em períodos mais quentes.
O felino passou cerca de 419 minutos dentro da toca e outros 161 minutos nas proximidades. As temperaturas máximas registradas nos dias do monitoramento variaram entre 28,3 °C e 33 °C.
À medida que as temperaturas sobem, tocas como as do tatu-canastra se tornam ainda mais essenciais para a sobrevivência das espécies no Cerrado.